Resumo Trabalho

PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO E CLÍNICO DE PESSOAS QUE ENVELHECEM COM HIV/AIDS ACOLHIDOS NO LAR DA FRATERNIDADE EM TERESINA-PIAUÍ

KEILA MARIA GONÇALVES DA SILVEIRA FORTES, JOÃO GILBERTO DE OLIVEIRA FREITAS, LUCAS DA SILVEIRA TERTO, MARIA LUIZA DA SILVEIRA FORTES

Introdução: Das 36,7 milhões de pessoas vivendo com HIV em todo o mundo em 2015, 5,8 milhões tinham 50 anos ou mais. O aumento da população idosa, assim como da liberação sexual com maior acesso a medicamentos estimulantes da atividade sexual, proporcionaram um aumento de casos de AIDS nesses indivíduos e, a evolução do seu tratamento, faz com que mais pessoas nessa condição, sobrevivam e envelheçam. Diante dessa realidade, é necessário descrever a epidemiologia desse grupo, para adotar políticas públicas que consigam enfrentar esse desafio. Este estudo tem como objetivo descrever o perfil clínico e sociodemográfico de pessoas com 50 anos ou mais de idade, que convivem com HIV/AIDS, acolhidas no Lar da Fraternidade, em Teresina-Pi. Método: Estudo descritivo com dados de portadores de HIV/AIDS, acolhidos no Lar da Fraternidade. Foram examinadas todas as 136 fichas cadastrais ativas e selecionadas 39, tendo como critério, pessoas com 50 anos ou mais. A compilação de dados foi feita pelo preenchimento de uma planilha elaborada no programa Excel 2007. As variáveis investigadas foram sexo, faixa etária, grau de escolaridade, Unidade Federativa de residência, tempo de uso de medicamentos Antiretrovirais e aparecimento de manifestações clínicas, analisados através de diferenças percentuais e discutidos tendo por referência o Boletim Epidemiológico de DST/AIDS-2016. Resultados e Discussão: Em relação ao sexo, esse estudo mostra predomínio de homens. Segundo o Boletim Epidemiológico de DST/AIDS-2015/2016, as taxas de detecção de AIDS em homens têm apresentado tendência de crescimento, com um aumento de 15,9%, no período de 2006 a 2015. Entre as mulheres, observou-se declínio nesse mesmo período. Quanto à escolaridade, o maior percentual encontrado foi com ensino fundamental completo. A maioria dos participantes do estudo é natural do interior do Maranhão, procuram Teresina para tratamento e acompanhamento de sua saúde e são acolhidos no Lar de Fraternidade, onde recebem abrigo, alimentação balanceada, assistência social, assistência de enfermagem, assistência espiritual cristã e, em alguns casos, a reinserção familiar. Utilizam os medicamentos entre 10 a 20 anos atrás, sendo que 5,13% usam há mais de 30 anos. Quanto às manifestações clínicas, o presente estudo detectou as seguintes: Pneumonia, CA de Pulmão, deficiência visual, Hepatite B, depressão, CA hepático, meningite, dermatites, tuberculose, aneurisma e leishmaniose. Conclusão: Os resultados desse estudo mostram um aumento na detecção de HIV em indivíduos com 50 anos ou mais, principalmente homens, maiores de 60 anos, com baixa escolaridade, residentes em vários estados do Brasil, apresentando manifestações clínicas diversas e pessoas com mais de 30 anos usando antiretroviral. Esses resultados mostram a necessidade de se perceber a vulnerabilidade do idoso ao contágio pelo vírus HIV e a adoção de ações preventivas e de promoção, considerando sua integralidade e particularidades.

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