Resumo Trabalho

POTENCIAIS EFEITOS DO GUARANÁ (PAULLINIA CUPANA) NAS DISFUNÇÕES OCULARES RELACIONADAS À IDADE: UM ESTUDO TRANSLACIONAL

BEATRIZ DA SILVA ROSA BONADIMAN, GRAZIELLE CASTAGNA CEZIMBRA WEIS, CLÁUDIA MARIA OSÓRIO CHAVES, CLÁUDIO DO CARMO CHAVES e orientado por IVANA BEATRICE MÂNICA DA CRUZ e orientado por IVANA BEATRICE MÂNICA DA CRUZ

O envelhecimento humano está associado ao risco de desenvolvimento de doenças degenerativas. Entre as doenças que acometem os idosos, destaca-se as que comprometem a visão, a mais severa é a degeneração macular relacionada a idade (DMRI) que leva a perda visual irreversível e não possui um tratamento eficaz. A DMRI, assim como outras morbidades crônicas está associada a alterações no metabolismo celular, com destaque ao estresse oxidativo. Evidências sugerem que a dieta teria um papel relevante no controle do estresse oxidativo. Investigações prévias realizadas em idosos ribeirinhos de Maués, Amazonas, sugeriram que o consumo habitual de alguns frutos, em especial o guaraná (Paullinia cupana) estaria associado a uma menor prevalência de fatores de riscos a doenças cardiovasculares. Entretanto, nenhum estudo prévio investigou o impacto do guaraná na visão. Assim, o objetivo desse estudo foi investigar do ponto de vista translacional, a associação entre a qualidade da visão autorrelatada e a ingestão diária de guaraná em idosos ribeirinhos e os efeitos da guaraná (Paullinia cupana) na linhagem celular do epitélio pigmentar da retina (EPR). Metodologia in vivo, a qualidade visual e o consumo de guaraná pelos idosos ribeirinho foi avaliada através do Autorrelato. Metodologia in vitro, as células do EPR, linhagem comercial ARPE-19 (ATCC ATCC® CRL-2302™), foram expostas ao guaraná por 48h é ao Paraquat por mais 6 h, e também ao Paraquat 6h mais guaraná 48h. Resultados: 630 idosos foram incluídos no estudo, sendo 46,2% homens e 53,8 mulheres, com idade média de 72,3. Aproximadamente metade dos idosos autorrelatou ter uma visão ruim 50,8%, 37,1% autorrelataram ter visão regular, e apenas 12,1% auto relataram ter uma boa visão. Os indivíduos que referiram boa visão apresentaram maior frequência de consumo habitual de guaraná (Paullinia cupana) (> 3 vezes/semana). A partir dos resultados in vitro foi possível observar que o tratamento com guaraná foi capaz de prevenir a citotoxicidade causada pelo Paraquat, que aumenta os níveis do ânion superóxido, desencadeando estresse oxidativo. O conjunto dos resultados sugere que o guaraná teria ação benéfica na saúde visual dos idosos. Dessa forma, este trabalho fornece novas perspectivas sobre o potencial uso guaraná na proteção doenças oculares relacionadas a idade.

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