Resumo Trabalho

EFEITO DA TERAPIA DO ESPELHO NO CONTROLE MOTOR DO MEMBRO SUPERIOR AFETADO DE PACIENTES COM DOENÇA DE PARKINSON

JULIANA LAHR, MARCELO PINTO PEREIRA, PAULO HENRIQUE SILVA PELICIONI, LUANA CAROLINA DE MORAIS e orientado por LILIAN TERESA BUCKEN GOBBI e orientado por LILIAN TERESA BUCKEN GOBBI

A doença de Parkinson (DP) tem início unilateral e afeta o processamento e a integração das informações proprioceptivas, comprometendo o controle motor do membro superior, como a destreza manual. Uma estratégia de intervenção que pode ser efetiva neste caso é a terapia do espelho (TE), já que se propõe melhorar déficits sensórios-motores de pacientes com acometimento neurológico unilateral. Assim, o objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito da TE no controle motor do membro superior afetado de pacientes com DP. Participaram do estudo 10 pacientes (69,44±6,30 anos). O controle motor do membro superior foi avaliado na tarefa de destreza manual de acordo com o Box and Blocks Test, que consiste em transferir blocos o mais rápido possível de um compartimento com blocos a outro compartimento vazio. A tarefa foi dividida nos momentos: fase de ação (FA), quando o bloco é transportado para o compartimento vazio e, fase de retorno (FR), quando a mão retorna para compartimento com blocos. A tarefa foi registrada por um sistema optoeletrônico, sendo realizadas 3 tentativas com o membro superior mais afetado, nos momentos pré e pós-intervenção. Para avaliar o controle do membro superior afetado foram acessadas as variáveis jerk (hesitação do movimento – relacionada ao planejamento), velocidade (relacionada à execução) e o número de blocos transferidos (relacionado ao desempenho). O protocolo de intervenção da TE consistiu de treino unilateral do lado menos afetado, com duração de 30 minutos diários, 5 dias por semana, durante 6 semanas consecutivas, em domicílio Na análise estatística foram realizados testes t de Student, com nível de significância atribuído de p≤0,05. Os testes t de Student revelaram que a TE aumentou a automaticidade e o desempenho na tarefa de destreza manual, ou seja, os pacientes transferiram uma maior quantidade de blocos pós-intervenção, devido à diminuição dos números de hesitações cometidas durante as FA e FR (número de blocos transferidos: t(1,9)=-2,80; p=0,02; jerk: FA: t(1,9)=2,65; p=0,02, FR t(1,9)=2,18; p=0,05), demonstrando melhor planejamento do movimento. O feedback visual do membro superior menos afetado proporcionado pelo espelho foi capaz de suprimir as informações proprioceptivas deficitárias provenientes do membro afetado, o que provavelmente contribuiu para a mudança positiva na ativação do SNC. Ainda, o uso da informação sensorial adicional (feedback do espelho) e a prática intensiva podem ter favorecido o processo de automatização do movimento. Diante dos resultados apresentados, conclui-se que a TE pode ser indicada como uma estratégia de intervenção para melhorar o controle motor do membro superior afetado de pacientes com DP.

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