Resumo Trabalho

O CUIDADO À PESSOA IDOSA E A INSUFICIÊNCIA FAMILIAR: UMA ANÁLISE CRÍTICA DA LITERATURA.

EDUARDA LIMA MENDES, MARIA TAMIRES SABINO DA MOTA SILVEIRA

O processo de envelhecimento é um fenômeno presente na história da humanidade e vem trazendo com ele questões que devem ser discutidas e analisadas com o intuito de fornecer respostas às demandas apresentadas pela população idosa. Para mensurar esse processo pode-se sinalizar alguns dados demográficos que indicam o alargamento das pirâmides etárias populacionais. No cenário mundial em 2012 o número de pessoas mais velhas aumentou para quase 810 milhões, estima-se que em dez anos esse número alcance 1 bilhão e em 2050 duplique para 2 bilhões. A partir desse cenário é notável o incessante crescimento da população idosa, entretanto não se esgota nesses dados. ¹ O envelhecimento da população brasileira também é evidente, pois dados afirmam que nos últimos 60 anos o numero de idosos só aumenta. Em 1940 esse grupo representava 1,7 milhões, já em 2000 aumentou para 14,5 milhões. Sendo a projeção para 2020 de uma população de aproximadamente 30,9 milhões de pessoas idosas. Segundo pesquisas realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, a cada 10 brasileiros 1 tinha mais de 60 anos e tudo indica que em 2050 essa proporção atingirá 1:5 da população. ¹ Além dessas modificações demográficas, no Brasil são notáveis as transformações no perfil epidemiológico. No cenário de saúde brasileiro houve um crescimento das doenças crônico degenerativas em detrimento das infectocontagiosas. Proporcionando aos idosos um envelhecimento com doenças incapacitantes que gera um grande impacto no sistema público de saúde, ainda requisitando das famílias uma participação intensificada no processo de cuidado. Além disso, a fase da velhice vem apresentando várias demandas para o sistema de Seguridade Social (assistência social, previdência social e saúde), todavia as políticas públicas e rede de serviços públicos não acompanham o rápido crescimento da população idosa. Principalmente porque a velhice vem carregada de dependência funcional, financeira sem qualidade de vida, configurando-se como reflexo da ausência de serviços de saúde, aposentadoria ou acesso precário aos mesmos. Mediante esse contexto observa-se uma grave consequência que é a transferência da responsabilidade dos idosos para a família. Sendo assumida como um problema familiar e individual, devido à ausência ou precariedade do suporte do Estado. ¹ Nesse sentido, pretende-se realizar uma discussão sobre avaliação do termo insuficiência familiar que compõe os dez tipos de insuficiências denominadas pela Geriatria. Analisando o termo a partir de uma abordagem crítica que não define a família como insuficiente no processo de cuidado, mas sim identifica a insuficiência do Estado no fornecimento de suporte e serviços para atender as necessidades das famílias e seus idosos. Por isso, é de suma relevância a discussão da temática para evidenciar os limites e desafios apresentados aos familiares no cotidiano da assistência. Além disso, tem o intuito de superar as concepções moralistas e biologicistas dirigidas na análise do contexto familiar, trazendo uma reflexão sobre o que está preconizado nos arcabouços legais para o idoso, onde a responsabilidade por ele deve ser compartilhada por Estado, família e sociedade.

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